Era uma vez um peixinho.
Um tanto metido e abusado.
Intencionava voar, pobrezinho, para alcançar a flor celeste no alto da rocha gigante. Veja só que sandice. Copia só.
Mergulhava no ar se debatendo em nadadeiras.
Mas logo lhe faltava força d'água para respirar.
Sentia tanta dor que parecia que ia.
Depois do salto, o certo era tombo no mar.
Tristinho a observar sua natureza incapaz, amoeceu.
Adoecido de desejo.
No canto mais escuro que encontrou ali ficou.
No mais sozinho... salinizando oceano.
Tempo passando e o peixinho lá chorando, nadando em lágrimas,
tanto que o pacífico se encheu e transbordou,
invadindo atlântico o continente americano,
depois Europa, da Africa também pouco sobrou.
O que havia de mais profundo e oceânico,
agora era terra emergida à luz do sol, e vice-versa.
A rocha gigante afundada no mar...
O peixinho teve então sua chance.
E lá foi ele, livre e belo peixe, se criando no caminho,
inventou o seu bater de asas... e voou.
Pensava em beijar a flor e assim o fez.
Alex Fenix
24 de março de 2007
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